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A realidade da Literatura Fantástica, dentro e fora da Biblioteca de Babel

22/03/2010

A Literatura, por mais que se tente deixá-la o mais próximo possível do real, está, também, ligada ao fantasioso, ao ficcional.

Conforme citou, magnificamente, Antônio Cândido: “Não há povo e não há homem que possa viver sem ela [a literatura], isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação” temos a criação do fantástico, do imaginar irreal que o ser humano carrega dentro de si.

A literatura, em muitas vezes, é definida como a arte de criar e recriar textos ou compor e estudar escritos artísticos. Dentro do universo irrepreensível e grandioso da literatura, temos o submundo fantástico, ligado sempre a cada civilização, esta que possui suas histórias, suas crenças, seus mitos, enfim, cada povo, durante todo o decorrer da história, criou suas próprias lendas utilizando sua língua e linguagem apropriadas. A Literatura, por mais que se tente deixá-la o mais próximo possível do real, está, também, ligada ao fantasioso, ao ficcional.

As narrativas mitológicas remetem à antiguidade, desde que o homem passou a se perguntar os motivos da existência de todos os fenômenos nos quais não compreendia sua finalidade. Deuses, demônios, heróis e vilões de todos os arquétipos foram, e ainda são, modelos que permutam no inconsciente da raça humana.

Com o passar das eras, narrativas que recriavam mitos foram perdendo sua magia, mas continuaram sendo repassados pelo boca-a-boca dos povos, dessa forma nasceu os contos de fadas e não existe literatura  que não tenha ou não busque raízes em tais contos, como, por exemplo, nas histórias do Ciclo Arturiano cavalaria, do século X.

Há estudos onde a Literatura Fantástica mostra-se diretamente ligada ao Realismo do século XIX, onde o fantástico, em seu sentido mais amplo, acaba se tornando a forma mais antiga de narrativa, como bem descreveu Irene Bessiére.

Citar o fantástico e deixar Jorge Luis Borges de fora seria impossível. Abordando temáticas como a Filosofia, Metafísica, Mitologia e Teologia em narrativas fantásticas onde figuram os “delírios do racional”, expressos em labirintos lógicos e jogos de espelhos, Borges é, hoje, um dos grandes ícones do fantástico.

Enfim, de contos medievais a histórias sobre vampiros, abaixo de mil léguas submarinas ou em uma constelação no fim do universo, o homem necessita de fábulas e mitos, mesmo sabendo que são irreais, mas que mostram a ele que a realidade nada mais é que a irrealidade.

Por Erik Santana

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3 Comentários leave one →
  1. Luciana permalink
    25/03/2010 21:01

    Fantástico! Borges, sem duvidas, é um ícone!

  2. Anderson Martins permalink
    29/03/2010 16:50

    belo post! “Não há povo e não há homem que possa viver sem ela [a literatura], isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação” Isso é lindo

  3. Guilherme permalink
    30/03/2010 17:08

    Muito interesante! Estou fazendo uma monografia sobre o realismo mágico no conto de Borges. Oode me ajudar, indicando-me um bom livro?

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