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Filhos da Noite Vol. 2 – Encerrado

19/02/2011

Fala pessoal, desculpem pelo sumiço, mas esse ano começou corrido. Emprego novo, empresa nova e livro novo. Muita coisa a se fazer para pouco tempo disponível. Mas tenho uma boa notícia aos fãs do livro Filhos da Noite. Acabei o processo de escrita da sequencia dos vanmpiros modernos de Bristol e, modéstia à parte, ficou fantástica.

Um enredo bem original. Agora, passar para meu grande amigo escritor escrever o prefácio e dar início ao processo de editoração. Ou seja; em breve, começará a procura por editoras, cotações, capa, enfim, amo muito tudo isso.

 Ps.: fiquem com um trechinho do volume 2.

 Capítulo 5

          “A cada anoitecer, sua vida começava e, como cada gota de orvalho, repetia seu exercício contínuo de nascer, crescer, transformar e multiplicar. A cada noite, sua pós-vida florescia, estendia seus braços, abraçava o mundo e se reproduzia. A cada madrugada, sua existência se espalhava e só, ao par, trio ou grupo, se encontrava, se entregava e se manifestava em mil formas, mil maneiras diferentes de ser, maravilhosas de ser e assim reinventava seu milagre infinito de recomeçar em outra manhã, era dessa forma que ele sentia-se quando despertava.

Albert acordou rapidamente. Braços, disciplinadamente, cruzados sobre o peito. Corpo ereto por cima da cama. Seus olhos se abriram e obtiveram a mais pura escuridão do quarto. Os longos cabelos negros cobriam todo o travesseiro, como uma fronha negra e fina, talvez feita de seda. Enviou sangue para as retiras e, então, fez-se a luz. Levitou e pôs em pé sem esbanjar esforço algum. Foi até o quarto de banho e olhou para o espelho. Não se sentia bem nas últimas semanas. Acordava no meio do dia, não sentia a sede maldita que devora todos os seres como ele e suas forças pareciam aumentar a cada crepúsculo que chegava. Tudo bem que no caso dos seus poderes era até bom, explicável e, no fundo, ficara até surpreso e contente, mas, até aí, acordar de dia significava um perigo iminente.

         Ainda de frente ao espelho, esticou os braços, dilatando os músculos. Estava no auge de sua forma física. Enxergava além do que sempre imaginou. Seus ouvidos capturavam um alfinete caindo a metros de distância e sua velocidade tornara-se incrível, inimaginável, indescritível. Desconfiava que andasse vendo além da conta.

         Sua pós-vida estava muito confusa. Podia jurar que, há algumas semanas, havia visto um anjo observando-o do topo de um prédio. Saltou em direção do ser e quando se aproximava, simplesmente, a coisa desapareceu. O que o deixou intrigado não foi o desaparecimento repentino, mas sim, que o vampiro não pôde, mesmo enxergando como nunca, vê-lo sumir. Até aquele momento, ainda desconfiava se o que vira era o que achara. Será?

         Ao olhar para o lado, suas preocupações tornaram-se realidade. O dia ainda reinava no firmamento. Tímido, nublado, mas ainda permanecia lá. O que mais o intrigava era o fato que não sentia sensação alguma de incômodo. Era como se voltasse a ser humano. Certo, nem tanto, mas o fato de estar ali, em pé, com o dia lá fora, já tirava sua serenidade.

         Lembrou dos conselhos do mestre Magnun. Seus poderes aumentariam, gradativamente e exageradamente, até o dia em que o fim dos tempos chegasse. Mas ele se perguntava o motivo.

         Despiu-se e entrou no chuveiro. Imaginem a sensação de prazer que um ser de sangue frio sente ao tomar um banho que água quente. A água parecia vir de encontro às suas necessidades, tocando sua pele gélida, anestesiando sua frieza, massageando seus sentidos, acariciando os poros, banhando sua alma vazia, purificando a mente e todo o abstrato, deslizando suave e alimentando a sua existência.

         Quando terminou a ducha, a noite caía elegantemente, misteriosamente, timidamente. Abriu uma pequena janela quadrada e inspirou o ar noturno, agradável no início, preocupante no fim. Sentiu um odor familiar. Inalou o aroma da morte.

         Desceu as escadarias que davam acesso ao hall de entrada do casarão de Magnun. Sentia saudades de um velho amigo, residente próximo à divisa da cidade de Osasco e, naquele instante, decidiu faze-lhe uma visita.

Antes que chegasse à porta de recepção, foi abordado por uma linda jovem de cabelos pretos brilhantes, olhos encantadores e corto modelado à mão. Seu caminhar furtivo lembrava uma das ninfas de Afrodite, tocando o chão como se ele não existisse, sobrepisando-o como um anjo que caminha pelas nuvens claras do céu.

         A dama exalava um perfume hipnotizador que invadia os pulmões, reconfortando-os e aliviando os sentidos do olfato, liberando uma sensação de prazer absoluta e deliciosa.

         Albert ouviu o correr do sangue em suas veias quando a mulher o tocou no ombro e disse, com sua voz sedutora e irresistível:

         – Boa noite, meu anjo negro.

         O vampiro virou com a potência e suavidade da voz que ribombava como a música das ondas em seus apurados ouvidos.

         Uma mulher morena trajava um longo vestido preto, com detalhes desenhados em formas de tribais e coloridos em prata. Utilizava, também, sandálias brancas e muitas pulseiras em ambos os braços.

         Sua visão foi escalando o formoso corpo da donzela até encontrar-se no decote do vestido, impulsionando seus seios fartos para cima, acompanhado por um elegante colar que descia de seu pescoço e desaparecia dentro das vestes negras.

         Albert deslumbrou, com excitação, aquelas formas. Fitou os olhos dela e respondeu:

         – Boa noite Millene! Como foi seu dia?

         – Muito bem, obrigada. Despertei pensando em ti. Posso saber aonde vai? – respondeu com sua voz melódica, como as das sereias que encantam os marinheiros e, em seguida, carrega-os para o fundo do mar.

         – Não sei ainda. Acho que vou visitar um amigo. Por quê?

         – Por nada meu querido. Só pensei que poderíamos sair um pouco. Está uma noite tão agradável lá fora. – respondeu a moça, enquanto apoiava as duas mãos no ombro do jovem e aproximava-se de seu corpo.

         – Receio que não será possível. Tenho muitas outras coisas para fazer mais tarde, talvez outro dia.

         – Certo. Está me dando outro fora? Albert, quanto tempo mais você vai me evitar? Pelo resto da eternidade ou posso esperar que um dia ceda aos meus encantos?

         – Millene. Sabe muito bem a minha situação. Já te disse um milhão de vezes.

         – Mas eu não consigo aguentar te ver e não poder tê-lo para mim. Sei que, às vezes, passo dos limites, mas tente me entender, minha atração por ti é maior do que posso suportar.

         – Não se preocupe. Em poucos dias devo encontrar um lugar para ficar e não precisará me ver em todos os momentos.

         – O quê quer dizer com isso? Vai sair daqui?

         – Sim. Estou prestes a fechar um contrato e comprar uma residência para mim.

         – Meu pai jamais permitirá que o deixe. Depois que o ressuscitamos ele me disse que você ficaria conosco até passar a ti o principado. Não pode nos deixar.

         – Eu não quero ser príncipe Millene. Quero, apenas, sofrer o que devo. Agora, deixe-me ir. Volto antes do amanhecer.

         A morena segurou-o pelo punho. Puxou-o, com força, em sua direção, até que sua boca tocasse, com leveza e frieza, a dele. Uma explosão de sentimentos dentro de seu corpo emergia, liberando a maior sensação de prazer que sentira em toda sua existência quando a língua de Albert acariciou a sua como se tivesse o poder mágico de fazê-la levitar, arrancando sua consciência e sanidade, transbordando euforia e êxtase intenso. Com as mãos, tocou os cabelos compridos do rapaz e encostou-se, o máximo que pôde, naquele corpo gelado. Abriu os olhos e observou que o vampiro estava com os seus cerrados. Fechou-os novamente e regozijou o momento.

         Albert não se continha em sentir o gosto da noturna. Há tempos evitara o inevitável. Millene era bonita demais para seus propósitos, realmente, não pôde conter seus instintos e aquele beijo o fizera esquecer de todas suas aflições. Naquele momento único, deixou de preocupar-se com o mundo, viveu somente aquele instante prazeroso, penetrando na vida da exuberante filha do príncipe, tomando-lhe arrepios. Como pudera manter-se afastado dela durante tantos anos? O noturno não desejava soltá-la, se pudesse ficaria agarrado a ela para todo o sempre. As magníficas sensações que sentia esvaeceram quando sentiu um perfume conhecido. O aroma era doce. Suave como lírios! O beijo ardente de Millene fustigara, incessantemente, Albert, que, com dificuldade, conseguiu desvencilhar-se da noturna.

         Ao abrir os olhos, sentiu, como nos tempos em que ainda respirava, aquela sensação de gelo no estômago. Certamente, se seu coração ainda pulsasse, estaria disparando em velocidade célere. Sua mente não acreditava no que suas mortas retinas capturavam. Seus sentimentos mais profundos despencaram com avidez rumo ao solo amargo do arrependimento. Um raio invadiu sua razão e tomou conta de seu corpo. Sim! Exatamente isso que se passava.

         Estava ele em choque.

         Paralisado. A imagem da vampira loura fez suas palavras se extinguirem.

         Congelado ante visão conflitante de beleza e ódio. Rancoroso contra si mesmo. Jamais poderia se perdoar do erro que havia cometido. Durante séculos, lutou contra as tentações reais e sem motivo algum feriu sua jóia mais rara e bela. Partiu ao meio a esmeralda mais preciosa que tinha desde que sua esposa fora assassinada.

         Albert fitou no fundo dos olhos verdes de Mirella. De se rosto, escorria lágrimas de sangue, esvaindo-se intensamente, demonstrando e confirmando a tristeza que a jovem sentia naquele instante. O lábio inferior tremia timidamente, e suas feições delegavam um misto de surpresa e desgosto. Ela sentia-se traída, mal-tratada, desrespeitada dentro da própria casa, perante seu olhar, debaixo de seu lar, ante a companheira que deveria proteger, amar e ensinar, mas o sentimento que despertava em seu âmago era o de vingança. Queria saltar dali e esfolar aquela vadia que seduzira de forma inóspita e escrupulosa seu amado, retirando dele suas atenções e declarando uma guerra sem fim”.

Abraços!

Erik Santana   

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2 Comentários leave one →
  1. 21/02/2011 01:36

    Oi, Erik!
    Maya quer o seu livro também. Não esquece de mim… não terminei o primeiro, mas não vou ficar com a história pela metade… (rs).
    Abraço grande!
    Maya.

  2. 31/03/2011 13:13

    Nossa que demais esse blog, adoro ler e esse livro parece ser demais, quero muito ler :):):)
    eu tenho uma equipe e nós tbm criamos um blog, O PPP (Página por Página) de livros com uma proposta nova e ilustrações próprias, que tal você acessar hein????
    Assim a gente troca informações e podemos colocar seu blog na nossa lista de colaboradores,
    http://www.paginaporpagina.wordpress.com
    Parabéns
    Abraços

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